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Estudante desenvolve app sobre astronomia dos povos indígenas

O app já está disponível na Play Store do Google 

  • Publicado: Sexta, 24 de Setembro de 2021, 13h59
  • Última atualização em Sexta, 15 de Outubro de 2021, 11h35

Que tal conhecer um pouco mais sobre astronomia a partir dos saberes indígenas? Gostou da ideia? Então grave essa palavra: Ayakamaé.  Esse é o nome de um aplicativo criado pensando em vincular saberes de povos tradicionais aos conhecimentos científicos produzidos pela Física, tudo isso dentro de um contexto tecnológico. Original, a ideia ainda tem um quê a mais: foi criada e desenvolvida pelo estudante Giovani Barreto, da licenciatura em Física do Câmpus Registro.

O app, que já está disponível na Play Store do Google, pode ser baixado por qualquer pessoa que se interesse pelo tema, mas foi especificamente pensado para alunos do primeiro ano do ensino médio. A proposta é que a ferramenta digital se torne uma aliada educacional para aproximar os estudantes da astronomia das culturas. O que Giovani busca é colaborar com a construção de uma aprendizagem que proporcione diversidade cultural em condições de respeito, legitimidade e igualdade.

Interessado por Astronomia desde os 16 anos, Giovani conta que o assunto foi um dos motivadores para que ele escolhesse a graduação em Física. E como não poderia deixar de ser, também é o tema do seu trabalho de conclusão de curso. O Ayakamaé é produto do TCC do estudante, que deve ser apresentado no final do ano.

Embora a Astronomia já estivesse na vida de Giovani há algum tempo, o aspecto cultural da temática só entrou no radar no 6º semestre da graduação, quando o assunto foi rapidamente abordado durante uma aula. Apesar de ter ficado com a ideia na cabeça, foi a professora Natália Bortolaci, sua orientadora, quem o estimulou a pensar efetivamente sobre a Astronomia na ótica das culturas. Já para pensar a astronomia na forma como ela é abordada mais tradicionalmente dentro da Física, Giovani teve o apoio do professor Gregori Moreira, seu coorientador, que também foi quem sugeriu a criação de um aplicativo.

 O Ayakamaé

Para desenvolver o app, Giovani fez uma extensa pesquisa bibliográfica; aliás, seu trabalho é todo pautado em estudos bibliográficos na área de astronomia cultural, não tendo sido realizada pesquisa de campo. E claro, Giovani também estudou sobre programação e software para construir o Ayakamaé. "No início senti dificuldade, mas utilizei tudo o que consegui para a criação do app. Por outro lado, deixei muitas ideias de funcionalidades de lado porque ainda estou aprendendo como fazer."

Mesmo reconhecendo a importância dessa pesquisa prévia de caráter mais ortodoxo, o estudante conta que o maior apoio veio mesmo do grupo de Facebook "Astronomia Cultural Brasil". Uma imersão nas discussões antigas do grupo o fez repensar a astronomia cultural, e foi de lá que também vieram a dica de nome do aplicativo e a sugestão dos povos a serem contemplados na ferramenta digital: Tembé-Tenetehara, Tukano, Tupi-Guarani e Tupinambá.

No aspecto teórico, Giovani explica que o aplicativo foi pensado para que seja possível ter um olhar para a ciência considerando que há outros saberes no âmbito da Astronomia, provenientes dos povos originários do Brasil. "Não se trata de descartar a produção acadêmica europeia, e sim de dar destaque aos valores 

brasileiros. É resgatar os valores culturais brasileiros e criar uma ponte com a produção do conhecimento científico." Para o estudante, esse pensar decolonial (conceito relacionado à fuga da necessidade de amparo no conhecimento eurocêntrico), com base nos saberes indígenas, não vai fazer a educação retroceder: pelo contrário, tem potencial de pluralizar a aprendizagem.

Diversidade 

Quem abrir o app vai encontrar três módulos — Lua, Constelações e Sol —, que dão acesso a atividades que contemplam tanto os saberes indígenas quanto o conhecimento científico. Para criar esses módulos, Giovani se inspirou no formato do aplicativo Duolingo, desenvolvido para o estudo de idiomas. Ele explica que o módulo Sol envolve atividades relacionadas à movimentação do sol; o módulo Lua propõe atividades que tenham a ver com as fases da lua e a sua influência sobre a terra; o módulo Constelações, por sua vez, traz atividades que explicam, por exemplo, como as constelações afetam o clima e os fenômenos naturais, na percepção dos indígenas. A ferramenta também traz um pouco da história de cada um dos quatro povos escolhidos para comporem o app.

Se você leu este texto até aqui, deve estar se perguntando o que significa Ayakamaé. Bom, essa é uma explicação que Giovani prefere dar só para quem acessa o app e faz as atividades até o final. Então, a gente aqui entrou na dele e preferiu estimular sua curiosidade, caro leitor. É claro que você sempre pode dar um Google e descobrir rapidinho, mas não vai ter a mesma graça. Então aí vai um conselho: corra lá na Play Store e baixe o Ayakamaé. Ao fazer isso, você vai estar prestigiando um aluno de IFSP e, de quebra, conhecendo um pouco a respeito da astronomia a partir dos saberes indígenas.

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