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De computação forense à alimentação natural: confira a diversidade dos trabalhos do 10º Conict e 4º Conpog

Congressos foram encerrados nesta quinta-feira (28) e contaram com trabalhos que impressionaram não só pela diversidade como pela qualidade e nível técnico

  • Publicado: Quinta, 28 de Novembro de 2019, 16h30
  • Última atualização em Quarta, 04 de Dezembro de 2019, 15h06

Quem participou desses dois dias de realização do 10º Conict e 4º Conpog pôde observar a riqueza do conhecimento produzido e a qualidade das pesquisas realizadas nos 36 câmpus do Instituto Federal de São Paulo. Em uma visita ao hall de exposição de pôsteres, por exemplo, encontramos trabalhos que estudavam desde a computação forense, passando pelas tecnologias assistivas e pelo desenvolvimento de refrigerantes naturais, até análise de comportamentos intolerantes e autoritários de jovens nas redes sociais e nas escolas. Esta é uma pequena amostra dentro de um universo de 750 trabalhos apresentados nos dois congressos.

Quando pensamos em um aluno do curso de Análise e Desenvolvimento de Sistemas, normalmente imaginamos a figura de alguém que é fascinado por softwares, redes e computadores. Mas ao conhecer o trabalho de Nadjila Tejo Machado, do Câmpus Pirituba, descobrimos uma aluna de ADS preocupada com as pessoas e com a sua segurança. Por essa preocupação ela resolveu estudar como a Telemedicina pode ajudar a computação forense no caso de um incidente de roubo de dados. A computação forense, em síntese, tem o objetivo de solucionar crimes (virtuais ou não), por meio do processamento de evidências digitais. 

Nadjila contou que são poucos os hospitais que investem em cibersegurança; quando o fazem, é depois de serem atacados. Segundo ela, se um hacker invade a rede de uma unidade de saúde complexa, as consequências podem ir de um atraso nas consultas à interrupção de sessões de quimioterapia, como já aconteceu no Hospital do Câncer de Barretos. “A pesquisa ainda está em andamento, mas nós acreditamos que a telemedicina pode ajudar a computação forense a investigar a autoria do ato e a dinâmica do crime. Já fizemos um levantamento dos softwares de computação forense cadastrados no National Institute of Standards and Technology (NIST) e percebemos que eles não são muito acessíveis, o acesso à informação é um pouco complicado. Também estamos trabalhando na elaboração de um protocolo de preservação de dados para que o hospital possa saber o que fazer, e em que momento, para poder preservar tanto dados quanto vidas.”

Usar a tecnologia com foco nas pessoas também é o objetivo do projeto que está sendo desenvolvido pelo professor de Engenharia Eletrônica e coordenador de Pesquisa do Câmpus Sorocaba,  Sérgio Shimura, em parceria com José Otávio Pompeu, professor da área de Computação e pesquisador de tecnologias assistivas da UFRJ. Os dois, juntamente com cerca de 20 alunos voluntários, estão desenvolvendo o protótipo de um carro elétrico, movido a energia solar, para pessoas com deficiência física. 

De acordo com Shimura, o projeto teve início no mês de fevereiro, tendo sido entrevistadas quatro pessoas com deficiência física para saber as maiores dificuldades e necessidades de adaptação para o veículo. De acordo com os professores, o carro, com capacidade para transportar até duas pessoas, poderá fazer até 50 km/h, utilizando uma uma bateria de 4kw/h. O Veículo terá um painel solar removível que garantirá uma autonomia de 30 quilômetros. “Também estamos estudando instalar uma turbina eólica. Estamos já na parte final, o motor já está pronto, falta instalar as baterias”, contou Sérgio.

Graças à parceria com uma empresa da região, eles já conseguiram, por meio de doação, as baterias necessárias para o motor. Coincidentemente, um encontro proporcionado pelo 10º Conict pode resultar em nova parceria para que as baterias que o grupo conseguiu sejam remanufaturadas. Durantes as apresentações dos trabalhos, o grupo conheceu o Gabriel Peres, aluno do curso de Engenharia de Controle e Automação do Câmpus São João da Boa Vista, estagiário da Startup Energy Source, que trabalha com soluções para o armazenamento de energia. “Começamos a conversar sobre a parceria, vamos fazer o contato entre eles e a empresa e espero que dê certo”, contou Gabriel.

Da tecnologia assistiva passamos à alimentação saudável com o trabalho de iniciação científica da Brenda Vendramini, aluna do curso de Engenharia de Alimentos do Câmpus Matão. Ela e sua orientadora, Márcia Rizzatto, estudaram a produção e caracterização de Kombucha de chá branco em escala laboratorial. A Kombucha é uma bebida doce de origem asiática à base de chás da Camellia sinensis fermentados por leveduras e uma associação simbiótica de bactérias acéticas. 

Apesar de a bebida ter sido consumida de forma intensiva durante muito tempo por possuir propriedades profiláticas e terapêuticas, a maioria das propriedades foi deduzida com base em observações pessoais e depoimentos, e apenas alguns efeitos foram demonstrados cientificamente. “Com os testes feitos em laboratório durante o projeto, após 15 dias de fermentação foi obtido um refrigerante natural saboroso. Podem ser usados vários sabores, mas o que fizemos e foi mais bem aceito foi o de gengibre com canela”, contou Brenda. 

De Matão chegamos a São Miguel Paulista, onde Isadora Matias, aluna do 2º ano do Curso Técnico Integrado em Audiovisual, pesquisou intolerância, autoritarismo e socialização política nos espaços digitais e escolares frequentados por jovens de São Paulo. Ela e a equipe do projeto analisaram páginas do Facebook e canais do Youtube que (re)produzem o discurso de ódio e a perseguição a minorias e também aplicaram questionários em escolas de Itaquaquecetuba e da Zona Leste de São Paulo. “Nós percebemos que o discurso da internet é reproduzido no ambiente escolar, em forma de bullying, embora na internet seja em maior escala devido à possibilidade do anonimato.”

Isadora contou que o grupo realizou oficinas em que um membro reproduzia as falas intolerantes difundidas nas páginas analisadas, e o público buscava identificar as táticas de manipulação. Segundo ela, no próximo ano o grupo pretende dar continuidade às oficinas e tratar sobre temas como intolerância e fake news.

Não só os trabalhos do Conict mas os do Conpog também impressionaram. De acordo com o diretor de pós-graduação do IFSP, Orlando Leonardo Berenguel, o Congresso de Pós-graduação recebeu um bom número de trabalhos, e as pesquisas já trazem resultados concretos, tanto do Lato Sensu (especialização) quanto do Stricto Sensu (mestrado e doutorado). “Estou muito feliz com o que vi em termos de aprofundamento teórico e com a qualidade das pesquisas. Também tivemos um momento de troca com os coordenadores, em que pudemos ouvir experiências exitosas e partilhar os problemas do caminho, o que nos ajudará a melhorar processos”, contou Orlando. Atualmente o IFSP conta com 27 cursos de pós-graduação, com a perspectiva de chegar a 60, no próximo triênio.

A décima edição do Conict e a quarta do Conpog chegaram ao fim com o sucesso e a grandiosidade comprovada pelos números. Um total de 1.409 pessoas fizeram check-in nos dois dias do evento. Foram ao todo 60 monitores e mais de 30 servidores do Câmpus Sorocaba envolvidos na organização, além dos servidores da pró-reitoria de Pesquisa.

Confira aqui todas as fotos do 10º Conict.

 

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